Veronica Revamped

Most of you (readers, curious minds, people wandering every corner of the Web) don’t know, but I had already owned a blog.

However and to be completely honest, I no longer care about it and it’s been months since I erased it (out of frustration, a little rage and maybe, desperation).

I want to rebuild. The same way I’ve been trying to start over in real life.

I’m not asking you to follow me, or even try and understand what the hell am I talking about… But if someone out there is willing to do so, I’ll secretly rejoice.

Anyways, I should just bring the real writing in to this…

I’ll see you around, I suppose.


A maior parte de vós (leitores, mentes inquisitivas, pessoas deambulando pelos recantos da Internet) não sabem, mas eu já tinha gerido um blog.

No entanto e para ser completamente honesta, não quero saber mais dele e já passaram meses desde que o suprimi (por frustração, um pouco de raiva e talvez, desespero).

Eu quero reconstruir. Da mesma forma que tenho tentado fazer na vida real.

Não estou a pedir a ninguém para me seguir, ou tentar e compreender de que raio estou a falar… Mas se alguém por aí o quiser fazer, vai secretamente alegrar-me.

De qualquer forma, eu devia mesmo era deixar a autêntica escrita aqui…

Vemo-nos por aí, suponho.

post

Auto-censura

Sussurra o que pensas não poder dizer em voz alta.
Cala as tuas ideias nada brandas.
Olvida os teus pensamentos tidos como brutos,
A curiosidade que em ti ressalta,
O fervor que te compele a avançar.

Cala-te. Não digas nada.
Cede ao temor que te assalta,
À ansiedade que te estreita a garganta.
Cala-te. Eles sabem mais que tu.

Sussurra. Sussurra para que o teu âmago não se esqueça.
Mantém o fogo a arder.
O diálogo mental ainda ninguém silencia.

Tamanho receio de cometer erros,
De não pronunciar as palavras correctas.
A letra não se engana:
“Por tanto te quereres calar, vais acabar mudo.”
(A pior mudez é aquela que sempre conheceste, a censura que inflingiste a ti mesmo.)

Olvida. Olvida o que consideras inapropriado dizer.
Olvida tudo, diz o mundo.
Aceita que as tuas inseguranças sabem mais, aceita que todos sabem mais.

Cala-te.
Aprecia o silêncio e nele, procura a verdade.
Ou encontra-te a ti.
Encontra quem mandaste sussurrar, quem quiseste calar, quem ordenou tudo olvidar.

Cala-te, para depois poderes expressar o que importa, e o que não importa.

O que importa é que reconheças que tens uma voz e que deves usá-la.

A tua auto-censura roubou-te as palavras por demasiado tempo. Pensaste que nunca irias recuperá-las.
E aqui estás. Um dia, não vais sussurrar mais. Um dia, não vais calar mais. Um dia, não vais ser obrigada a olvidar.

O mundo espera-te mudo, porque crê que mudo nada muda. Talvez o mundo tenha razão.

Então mudo. Porque mudo não posso mudar o mundo.

Andronici

Paying for another’s pride,

Seeing their lusts satisfied.

Stranger thoughts have emerged,

Ones the innocent mind can’t grapple with.

 

Manifest your desires, dearest Lavinia,

Forbid them from ravaging your soul.

Step into the traitors’ forest

And unveil them, fawn or foal.

 

Laying in a pool of red,

Where no same family should thread,

Opportune loves are brutally resting.

Crimes the mind can’t grapple with.

 

Cut out their lying tongue, Lavinia,

Avenge your true nature.

Speak the truth you so lovingly disguise,

Accept you can make your own future.

 

Grasping the false prize over your body,

Overpowering their surroundings, somebody,

Lest you forget their true insensibilities.

Insecurity the mind can’t grapple with.

 

This is the nature of man,

Blood-stained hands and minds, soiled greedy.

 

So, rise and dare to…

The carnage will cease one day.

Forbid them from ravaging your soul.

Unveil it all, pawn or foe.

Lisboa, Menina me Troça

Prometi que te esqueceria

E como nas restantes vezes,

Acabei por esquecer-me de mim.

 

Arrastei-me para o bar,

Como a alma miserável que sou,

E agarrei-me a um cocktail manhoso qualquer,

Para arrancar as pétalas de quem te quer.

 

Esqueci as restrições temporais,

Até me ter recordado da minha realidade

E que precisava de apanhar o metro à uma.

(A vida destas coisas apruma!)

 

A caminho da estação,

Sob as electricidades penosas da cidade,

Titubeei incansavelmente

Pela calçada teimosa e demente.

 

Ao chegar à plataforma,

Jurei ter-te visto na carruagem oposta.

As ilusões febris do coração

Não me poupam da sua traição.

 

Também o álcool me fervilhava

O interior, e a minha face

Ruborizava na inconsciência

Das decisões tomadas na latência.

 

Recordei que te dissera que te amava

E as noites passadas na agonia,

Passava a carruagem frente ao meu olhar

E considerei deixar-me ficar.

 

Decidi entrar, cobarde

E como nas restantes vezes,

Prometi que te esqueceria.

 

Direcção à estação casa,

Sem paragens inoportunas,

Recebo uma chamada tua e hesito.

A tua voz é meu requisito.

 

Saio numa paragem tua

E tropeço na minha insubordinação.

Esqueci o que prometera a mim mesma.

 

Vejo-te a raros metros da saída

E num palpitar, decido escapar

Mas o teu semblante prende

E assim a minha fragilidade se rende.

 

Prometi que te esqueceria

E como nas restantes vezes,

Acabei por esquecer-me de mim.

Um momento olhando o infinito,

Uma escolha perfazendo o meu particular delito.

Sibyl

Resides na ilusão da escolha,

Na estratosfera das boas intenções…

Acima de ti, um estonteante universo

Que condenas num impetuoso verso.

(Ridícula a humanidade que carregas,

Com a insolência de quem reconhece o bom caminho.)

 

Num mundo de falsas esperanças,

Promessas espelhadas pela noite,

Visualizas a tua insignificância

E tentas obliterá-la com mísera ânsia.

(Resigna-te à tua desgraça,

Oh profetisa dos tempos insistentes!)

 

Na tua visão lia

O horror da desumanização.

Os signos do apocalipse alinham-se,

A fome nos estômagos e nas mentes

E a doença nos ossos e nos corações.

Quem decidiu cegar-te, então?

Quem decidiu roubar a tua alma?

 

(Sabe Deus quem tomou a audácia,

Por via de facto ou falácia,

De corromper a tua consciência.

… Talvez tenha sido eu, no meu vazio inconsequente…)

Nocturne

A noite que se abate sobre nós,

Num suspiro ameaça extinguir-se.

E na nossa inocência, cremos

Que, num ápice, irá evadir-se.

 

Num olhar esmagamos as nossas esperanças,

E decidimos abandonar o destino

Ao vento que se atira pelas ruas.

Quem somos nós, um libertino

E uma fome voraz…?

Quem decide o que alguém irá sentir

Quando a noite invade uma vivência?

 

Aguardamos um sinal do tempo,

Uma carta de um amado qualquer.

Aguardamos a bandeira branca,

Ou uma pétala de malmequer.

 

Quem somos nós, uma libertina

E um apetite voraz?

Quem decide o que alguém irá sentir

Quando a luz natural se esgota por fim?

A ânsia que nos consome.

O desespero que nos suga a racionalidade.

 

Noutras alturas, carecia da noite.

Dos pensamentos inseguros.

Da paixão descaindo num açoite.

Questionava em quem acreditava,

Num momento de descrença fugaz.

 

O suspiro conspira mergulhar em si

E num momento, capitularemos.

Num instante, obteremos a compreensão

Para não mais entendermos nada, de novo.

Quem somos nós?

Vozes sequiosas,

Vistas medrosas.

Libertinos e bandidos,

Com fome de tempo

E satisfação de um tudo-nada.

 

A noite que quebra sobre nós,

Não suspira ainda.

E a nossa inocência,

Ela não verga perante o infinito.

Libertinos somos,

E por inanição nos silenciaremos.

Una Città sotto la Pioggia

Cidade fria e gélida,

Aquela que aparece nos meus sonhos.

Saudades que abafam a morte da alma,

Aquela que nunca me deixa escapar.

 

Presa a uma chuva que não cai,

A um nevoeiro que não se condensa.

As paredes em tons terra mentem-me,

Afirmam um sol que não me pertence.

 

Sentada na relva e um jardim sem fôlego,

Pensara em mil formas de me resgatar,

Mas ali jazia o meu sangue quente,

Aquele oxigénio sem rumo.

 

As palavras nunca escritas,

Retornam para me assombrar.

Os crepúsculos perdidos,

Reluzem entre os edifícios.

 

As alamedas renascem

Na perene solidão.

As lanternas retiram-se,

Ao clamor das primeiras silhuetas humanas.

 

Regresso para me reencontrar

E novamente me afundo,

Nos sussurros infinitos da urbe

E nos receios que não me aceitam.

 

A amena brisa ameaça recuperar-me,

Sem me olhar solamente.

O dia enterra as unhas na minha pele

E a saudade mata-me, de novo.

 

Observo o banco onde existira,

Onde vivera em êxtase por minutos.

O meu sorriso desfalece

Na perene solidão.

 

A melancolia visita-me,

Cidade fria e gélida.

Presa a uma chuva que não cai,

Uma sinfonia cessa à distância.

 

Um dia, reconhecerei a felicidade

E dar-lhe-ei um ansiado abraço.

Por agora, morro de saudade,

De um nevoeiro que não se condensa,

Do sangue quente,

Dos crepúsculos perdidos

Sob a amena brisa que só cabe

Na cidade fria e gélida.

Winter Flower

Standing out on some field,

A flower blooming lonely.

Its colors, shy and cold,

Breeze frozen in time.

***

With some luck,

No one would dare to pluck it out.

With much luck,

It would withstand the seldom relentless weather.

***

A winter flower

Reaching the atmosphere in strength,

Challenging the conditions.

A winter flower

Unaware of its power.

***

Blossom, little plant,

And never allow the wind to break you.

Blossom, little plant,

Show us all your beauty.

***

A winter flower

Raising over its roots,

Fighting in sensibility.

A winter flower

Unaware of its might.

***

Breathing is the Winter,

Around and about the fresh greenery.

And the tiny flower flows,

Fresh life gusting around it.

***

A winter flower grows lonely,

As it must at this time.

Shy and cold, only

It can stand proud.

***

A winter flower…

With some luck,

No one would dare to pluck it out.

Not as it beams among the fields,

Not as it rests fiercely in colors.

***

A winter flower,

Breathing in life.

 

La Ley del Deseo

Lost in some city

The Summer, hot on our backs

The evenings, warm as our breaths

Tales of sensuality untold

***

We roam these streets

A dress flows lightly in the breeze

A shirt falls gently on a chest

New stories unfold

***

No one dares to walk out from the bars

As drinks are coldest with friends

And the air conditioning is too tempting

Old glories not to be sold

***

But we defy the laws set by man

Or maybe by some deranged lunatic

We are looking for a place

Where our actions won’t be deemed too bold

***

The night sets above the aged stone walls

The Summer tones down its brazen mood

The evening releases a familiar perfume

Tales of sensuality untold

***

We walk silently, side-by-side

A dress tightens against a body

A shirt loosens up on another

New stories unfold

***

The bars are filled to capacity

And drinks are still as cold as they should be

But we forget the possibility of fresh manipulated air conditions

Old glories not to be sold

***

The cobblestone settles under us

I’m sure if it could experience envy, it would

Take me some place

Where our actions won’t be deemed too bold

***

The city becomes a romance unseen

Ancient lusts are fulfilled

And music fills the sleepy atmosphere

“Te quiero, mi amor.”

A Pedido das Vontades Intrusivas

Coloco gasolina no fogo porque me parece bem. Não me pergunto porquê.

O que sucede no dia seguinte, é que reconheço o odor entranhado nas roupas. Já passei por isto antes. Mas o resto são sombras na minha memória.

Todos sentimos este “appel du vide” de uma forma ou de outra. (Conseguiremos ultrapassá-lo, alguma vez?)

O desejo de destruir tudo torna-se demasiado para suportar de maneira razoável.

Quero colocar gasolina no fogo, outra vez. Quero ver tudo a arder furiosamente, pois não pretendo permitir que a raiva existencial que sinto, me sufoque.

O cheiro a fumo é nauseabundo. Atiro as roupas para a máquina de lavar, numa fúria incandescente.

Mergulho na cama como quem procura purificação. (Penitência, Senhor!) Mas é tarde de mais. A ira invade-me e faz-me pensar que já não tenho a capacidade de reconhecer outros sentimentos.

O meu coração está entupido de cinza e acendalhas adormecidas.

Quero colocar gasolina no fogo. São vários os momentos em que o meu cérebro flutua para essa opção.

Dou voltas e voltas entre os lençóis. Não há descanso para os amaldiçoados.

Sinto falta da sanidade básica. Pergunto-me se alguma vez a irei reconhecer na minha vivência. A esperança escasseia.

Coloco gasolina no fogo. O que aqui se ergueu, vou reduzir a insignificantes partículas. Quero que tudo desapareça ou pelo menos, sentir essa ilusão.

Salto da cama e decido tomar um duche. A água arrasta a ideia de que nada irá melhorar. A recém-adquirida frescura da minha pele reactiva a libertação de optimismo na minha mente.

Eu sei que eventualmente vou desejar colocar gasolina no fogo, mais uma vez. Até lá, vou tentar respirar um ar desprovido de essências de ruína própria.

(Conseguirei avançar?)

Omertà

Looking out into the dead of night

Not a soul in sight

No words are to be spoken

Only certain rules are meant to be broken

***

Recognizing some kind of natural madness

That arises from lonely sadness

Only the eyes understand

Only the heart can command

***

Se fai il mio nome, non ci sono più… Chi sono?

***

Searching for a reasonable solution

Not relying on the simple evolution

The answer is not here

And the evidence is not mere

***

Realizing there might not be anything more

This is neither legend nor lore

No words are to be spoken

Only certain rules are meant to be broken

***
Se fai il mio nome, non ci sono più… Chi sono?

***

Il silenzio.

***

Dying slowly only for breathing

This oath will not sustain the seething

Only the eyes understand

Only the heart can command

***

The night threatens to expose all

Will we decide to take the fall?

The answer is not here

And the evidence is not mere

***
Se fai il mio nome, non ci sono più…

E non sarò mai.

***

Il silenzio.